
Desde o momento em que me disponho a falar de Babel, espero que no final da minha intervenção se elevem muitas vozes a formular uma confusão que certamente existirá; e será bem-vindo quem quer que venha a apresentar a própria voz fazendo com que Babel possa continuar.
Sem dúvida alguma o relato do mito de Babel é conhecido por todos, narrado no capítulo 11 do Livro do Gênesis: antes de Babel todos os homens da Terra tinham uma única língua, usavam as mesmas palavras. “Disseram um ao outro: “Vamos construir para nós uma cidade e uma torre cujo topo toque o céu e vamos nos dar um nome para não dispersarmos sobre toda a terra”. Mas o Senhor desceu do céu e disse: “Eis, eles são um só povo e todos têm uma única língua e eis, esse é o início da sua obra. E agora quanto planejarão fazer não será impossível”, quer dizer “Agora poderão fazer qualquer coisa.”
Um comentarista judeu, que escreve mais tarde, em plena Idade Média, explica assim: “Agora poderão coroar a idolatria”. Assim acontece que Deus dispersou os homens por toda a terra, e criou uma infinidade de línguas, e o povo não foi mais um só. Essa foi a punição.
Logo, no mito da torre de Babel estão contidas três problemáticas diversas. A primeira é aquela da origem das línguas: como surgiu um número tão grande de línguas? Em segundo lugar, o mito encara um outro problema: por que existem tantos tipos de povos sobre toda a terra? E, num terceiro nível, coloca o problema da hybris: é quando o povo é ainda um único povo que concebe a idéia de chegar até o céu ou, como dizem mais tarde os comentaristas judeus, que amadurece a intenção de atacar o céu, de engajar uma guerra com Deus, de elevar ídolos ou de destruir o céu com lanças e flechas.
Qual foi a punição que Deus infligiu aos homens por tal ato de hybris? Esta: a cada povo foi atribuída uma língua particular, e enquanto antes toda a terra tinha um único modo de se exprimir, agora os homens foram dispersos, ocuparam a inteira geografia do planeta, e tiveram muitas línguas. Portanto a dispersão por todo o planeta e a grande variedade dos lugares geográficos estão ligadas à multiplicidade das línguas, e constituem uma resposta à hybris da unificação.
A hybris da torre se realiza quando há unicidade, e é então que se tem uma única língua. E quando se tem uma única língua, se tem a hybris.
Devemos refletir sobre isto hoje, sobre como o mundo veio lentamente a ser dominado por uma única língua: a língua da Internet. Eu também, nesse momento, estou usando aquela única língua.
Dissemos que a narração bíblica coloca três problemas diversos. Existem muitíssimos mitos das origens; não da origem da língua, mas da construção de uma torre que chegue a tocar o céu – os Nyambos têm uma no México, em Cholula, e, ainda no México os Toltecas têm uma também, também se apresenta entre os Cuki em Assam e entre os Karen na Birmânia: se trata sempre de manifestações de hybris, de soberba, de arrogância, da tentativa de escalar e de agredir a potência de Deus. A punição divina no mito não consiste na destruição dos homens, como acontece no caso de Sodoma e Gomorra ou no caso do Dilúvio: não se destrói o mundo, mas se dispersam os homens por todo o mundo. Em outros termos, se cria a variedade, os vários estabelecimentos. É difícil dizer que se trata realmente de uma punição. É para impedir o ato de hybris, para impedir a uniformidade que se tem a diversidade. É um elemento sobre o qual refletir, em meio a tantos impulsos poderosos em direção à uniformidade, na ciência e na economia, nos negócios, na política e assim por diante.
Existe claramente um forte impulso ao universalismo. A aspiração a uma ciência unificada, a um direito internacional, a uma Igreja e a uma língua universais: o esperanto, por exemplo, exprime no seu próprio nome a idéia de aspiração, de esperança. Esperança de uma paz universal e da possibilidade de solução de todos os conflitos através da unidade. Mas não é essa a lição que nos vem por meio de Babel. Babel nos diz que o Senhor quer: Ele quer a diversidade, a variedade.
Como disse um escritor, os Apaches têm um nome para cada lado do rio, mas nenhum nome para o rio; eles entendem o particular, o local. E o discurso poético, a metáfora, a língua originária traz muitos significados nas imagens. Embora eles sejam particulares, são também intensos, ricos como qualquer outro universal: são, se quisermos, mais arquétipos simbólicos que puramente sinais. Acreditar que a comunicação pede uma língua universal, abreviada, uma Neolíngua à la Orwell significa reduzir a comunicação a mera informação, transformando a informação e a mensagem em “dados”. Uma mensagem é alguma coisa a mais que um conjunto de “dados”. Uma mensagem é um anghelos, e cada nação, diz o Gênesis, tem o seu anjo, porque tem a sua linguagem.
Os anjos podem ainda falar entre si porque a sua língua é a língua desse mundo: não creio que falem Teologia, creio que falem Natureza. Falam a língua da lenha que queima, da luz das estrelas, do latido de um cão à distância. Por causa de Babel, todos os povos que não se entendem entre eles podem ao contrário entrar em contato um com o outro através deste profundo universalismo da psique no nível arquetípico da existência, através do fundamento poético da mente.
Nelson Costa
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vineyard CAPITAL Desse:
Babel babel! o que é a babel http://bit.ly/3oAerd
November 11th, 2009 às 1:30 pm
♥ëLëя۞ ↔ ℓǿکT°°ټ°♫™ Desse:
A “emergência” na linguagem de Babel:
Desde o momento em que me disponho a falar de Babel, espero que no final.. http://bit.ly/FeC3K
November 11th, 2009 às 1:51 pm
vineyard CAPITAL Desse:
Check for new posts And post up to new update(s) at a time. http://bit.ly/4ljZGR
November 12th, 2009 às 10:49 am
Andrea Desse:
essa onde de "diversidade" não se aplica a todas as áreas… ciência deixa de ser ciência se não houver consenso… já pensou se existisse mais de uma matemática, mais de uma física, mais de uma biologia ou mais de uma astronomia? seria uma confusão… a ciência não quer várias versões p/ os mesmos fatos, ela quer a versão verdadeira, a versão mais próxima da realidade, a q melhor se encaixe aos fatos e evidências….
November 12th, 2009 às 4:37 pm
Andrea Desse:
Se divide sim, claro, afinal de contas "ciência" envolve uma gama gigantesca de informação, muitas áreas de pesquisa, mas em todas as divisões existe consenso entre os cientistas, não existem duas astronomias, não existe astronomia cristã e astronomia ateísta, mas apenas UMA astronomia com cientistas de várias religiões ou até mesmo de nenhuma religião, mas o consenso SEMPRE existe (pq todo mundo entende q ciência e crença são campos diferentes de conhecimento, e ciência se baseia em evidências, não em crenças pessoais – embora haja religiosos que queiram falsificar a ciência misturando religião nela, o q é lamentável), do contrário, seria impossível construir conhecimento… sem a ciência vc nem ao menos estaria usando internet e computador.. se não gosta dela, devia então abrir mão de usufruir dos benefícios que ela gera também…
November 18th, 2009 às 9:20 pm
igor Desse:
Andrea.
E é por isso que a biologia se divide, a física se divide em astronomia e etc.
Tudo depende da lupa.
Abaixo a ciência, viva a brujaria!
November 18th, 2009 às 9:32 pm
SERVO Desse:
Servo.
Servo.
kkkkk….vcs. acredito que vc tem um célebro pra pensar..
oo querida a união era tão grande do povo que se eles continuase a construir a torre
ira chegar ao seus..por isso Deus intervel..
Deus é tão uniciente e unipotente que repartindo as llinguas ou seja dando a eles líguas diferente
ñ teria como contruir a torre de babel..
eu joão me dar a madera..
pera toma joão a aréia..
imagine milhares de pessoas nessa torre sem entender o que se estava falando
dai o plano ñ teve seu sucesso
pois o proposito de Deus foi pra que o home se chegase a ele em adoração e santidade
e não a torre….
pois um dia veremos a Deus..rsrrs mas so os que ele chama de filhos
VIVA A VERDADE…JESUS CRISTO
Jesus te ama Andrea
JESUS ESTA VOLTANO..TEM GENTE Q PENSA Q SABE
DA VERDADE..QUE SABER DA VERDADE VAI LER A BÍBLIA
July 14th, 2010 às 3:07 am
Apologístico Desse:
Um site cristão, onde se publicam textos sem referência ao autor. Sei não…
O autor chama-se James Hillman (psicólogo junguiano) e o texto foi retirado do seguinte site: http://www.rubedo.psc.br/artigosb/babel.htm
Que coisa feia!
March 1st, 2011 às 12:23 am