A Arte do Desapego

Por Redação | July/11/2008


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Graffiti é a arte do desapego
, afinal se a essência do graffiti é o que esta na rua, qual domínio você tem sobre o que produziu assim que se afasta do painel pronto?

Por experiência própria digo que nenhuma, já pintei painéis q duraram anos e outros que não duraram nem uma semana ate que alguém tenha se incomodado com o que pintei e resolveu mandar tinta em cima.

Não é apenas isso, existem também as intervenções que acabam surgindo no painel, desde riscos feitos com giz por garotos que saem da escola e resolvem dar uma rabiscadinha ate algumas pessoas menos “inocentes” que resolvem por uma serie de motivos acabar com o seu trabalho.

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Em SP ainda temos o tal “Cidade Limpa” projeto do prefeito Kassab que deveria se chamar “Cidade Maquiada” *, nesse projeto qualquer trabalho que desagrade o olhar de algum figurão da prefeitura é zerado com tinta cinza.

Fica claro que se você se apega muito ao que pinta na rua você vai perder varias noites de sono.

Essa cultura do desapego na arte de rua pode me ensinar algumas coisas sobre Deus e sobre o seu Reino.

Por exemplo me leva a pensar que se apegar a nomenclaturas, rótulos, cargos, liturgias, milagres e outra serie de coisas pode não ser o caminho a seguir.

Porem o desapego não significa desdém, descaso ou relaxo, muito pelo contrario, no graffiti dar continuidade a cultura é uma “batalha”, melhorar a técnica, o traço, testar materiais fazem parte do processo.

Não da pra desistir de pintar porque alguém decidiu que vai apagar seus trabalhos na rua, a cultura tem que prosseguir.

Assim como não se apegar a certos cacoetes e guetos cristãos não significa lavar as mãos, muito pelo contrario, significa se alicerçar no que de fato é verdadeiro, no que de fato é Reino.

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Outra metáfora interessante que poderíamos explorar é a do semeador que saiu a semear, seu papel era semear, ele não tinha controle algum do que iria acontecer com a semente, se no graffiti podem riscar seu trabalho, a semente pode cair em uma terra de espinhos.

Mas essa não deve ser a preocupação do semeador, ele deve semear a boa semente.

Para compartilhar as boas novas do Evangelho ( ou evangelizar, se preferir ) é possível se certificar de que a semente é boa, e que ela vai chegar ao seu destino que é o solo – ou melhor o coração – para isso você precise entender a cultura atual, o que faz o povo tão descrente, o que os afasta de Deus, como a mensagem pode ser melhor entendida por uma sociedade tão egoísta, individualista e moralmente caída?

Você pode buscar perguntas antes de sair soltando o jargão “Jesus é a resposta” e assim produzir uma estratégia menos superficial, mas por fim devera entender que aquilo se vai se tornar a semente esta acima de sua capacidade.

Entao, apenas faça sua parte e estará fazendo o melhor.

*Acredito que “Cidade Maquiada” seria um nome mais apropriado porque a cidade não mudou em nenhuma de suas necessidades emergenciais, o transito continua caótico, os hospitais públicos continuam um lixo, a kracolandia continua a fabricar viciados e assim por diante. Alem de ser bem discutível se o bonito é o cinza padrão da prefeitura ou o graffiti que dar cor e forma a cidade.



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8 Respostas

  1. Thaís Desse:

    Já falei pro Fábio me ensinar a pintar .. eu querooooo!!!!!

    July 13th, 2008 às 11:32 am

  2. Rachel Desse:

    Eu vou pra aulinha com a Thaís!

    July 13th, 2008 às 10:27 pm

  3. denise abramo Desse:

    se tiver aulinha, tou dentro. só que as minhas telas não vão ser em p/b… que eu adoooro cores…

    =)

    July 13th, 2008 às 10:31 pm

  4. shun Desse:

    show essa visão do graffiti, sou grafiteiro aki do RJ, e utilizo do graffti para evangelizar, não só através de mensagens q colocco nos grafs mas tambem quando dou aulas sempre rola um bate papo com os alunos, uma estratégia q funciona d verdade… não sei como é aí em São Paulo mas aki no RJ existem muito poucos grafiteiros evangelicos, seria legal se crescesse o numero de grafiteiros evangelicos, pra que a Palavra de Deus fosse ainda mais propagada através dessa arte!

    July 14th, 2008 às 8:32 am

  5. Rod Silva Desse:

    Massa o texto!

    Quero aprender Grafitar tambémmm…

    July 19th, 2008 às 10:47 pm

  6. seloti Desse:

    Acho que consegui visualizar o vídeo que dá pra sair daí…

    July 20th, 2008 às 12:21 am

  7. SANDRO Desse:

    Bem, o “cisdade limpa” deveria limpar as propagandas e a sujeira e não as artes. A cidade está ficando limpa de arte, até os museus estão ficando limpos, enquanto a cidade está ficando com o chão cada vez mais sujo, as favelas dominando cada vez mais a cidade (não há preconceito em relação a favela, mas uma crítica contra a falta de dignidade que o governo oferece ao ser humano menos favorecido, então está como indignação). Cidade limpa deveria estar para não corrupção, assim como arte não está para cidade suja.
    O texto em questão é ótimo para refletirmos sobre em que nos apegamos e descobrirmos se são mais importantes do que outras coisas e se a ordem delas estão corretas.

    July 20th, 2008 às 1:28 pm

  8. Cultura do Desapego « Amor Sexo Traição Desse:

    [...] e encontrei algumas coisas interessantes. Uma delas, foi no blog de um graffiteiro chamado SOLOMON onde, tem uma frase interessante que coloco aqui: “Graffiti é a arte do desapego, afinal se [...]

    April 16th, 2010 às 3:23 pm

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