Angústia.

Por J.Monaco | November/14/2008


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Ela vem de leve e
Vai levando o
Vazio velado

Lava o véu e
livras lágrimas
levadas ao léo

Só quero que deixe
Que seja cedo,
Silenciando o sentido,
Desfalecendo o falado…

De onde você vem?

“Angústia”- Victor Souza

E é incrível como toda a dita alegria cristã perece ante a este sentimento simples/complexo/inexplicável, quando esta nossa pequena morada passageira não está completamente firmada na Rocha, ou seja no Cristo. Eu sei que a definição grafada deste sentimento, por mais completa que seja, ainda fica aquem do impacto, corrosão e abatimento, que ele nos proporciona. Mas vamos primeiramente à definição.

” Chamamos de angústia a sensação psicológica, caracterizada por “abafamento”, insegurança, falta de humor, ressentimento, dor e ferida na alma. Na moderna psiquiatria é considerada uma doença que pode produzir problemas psicossomáticos.

A angústia é também uma emoção que precede algo (um acontecimento,uma ocasião, circunstância), também pode-se chegar a angústia através de lembranças traumaticas que dilaceraram ou fragmentaram o ego. Angústia quando a integridade psíquica está ameaçada, também costuma-se haver angústia em estados paranóicos onde a percepção é redobrada e em casos de ansiedade persecutória. A angústia exerce função crucial na simbolização de perigos reais (situação, circunstância) e imaginários (consequencias temidas).”

Fonte: Wiki

Em diferentes níveis, por diferentes motivos, a cada um de nós é permitida a experiência de se atravessar um período de angústia. Acredito que essa classificação da angústia como uma doença, não está distante mesmo de como o angústiado se sente. Nos sentimos doentes e fracos, sem poder de reação, e em muitas vezes quebrados e sem conserto. Quando a angústia marca um jantar com a baixa auto-estima em nosso peito, a cada garfada, ouvimos os rangidos dos talheres e queremos gritar em silêncio, porque já carregamos, incutido em nossas almas, o pensamento de que jamais seremos aceitos num mundo onde a fraqueza, ainda que momentânea, simboliza exclusão ou motivo de chacota.

Com o acumulo de angústias e dissabores, nossa fé passa a estar ameaçada, e confesso que sei do que falo aqui. As evidências mais simples da presença e do cuidado do Senhor, já não parecem mais suficientes para nos confortar. Já não nos satisfazemos com a liberdade de culto, já não agradecemos o pão, já não vemos provisão. Parece custar muito pra orar, pra deixar a raiva de lado, o silêncio passa a ter o peso do mundo todo. E todos já nos cansamos (e eu cada vez mais careca) de ouvir ministrações sobre refúgio, sobre amparo. E inseridos na ciranda do pensamento pos-moderno, onde a gratificação imediata torna-se a medida que avalia a presença de Deus na nossa vida, nos cegamos e nos perdemos nos próprios pensamentos; ficamos então à deriva. Entretanto, ainda há amor nas letras vermelhas. Ainda há uma voz que ecoa, ainda que distante, e que sussurra ao coração:

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11:28-30)

E então o nosso desafio real migra do teste de resistência para o departamento de expedição e entrega. É , entrega. A tão compreensível e, não obstante dura entrega. Entregar o visível talvez não seja a parte difícil; as raízes da angústia devem ser entregues também. Não devemos apenas esperar que nasçam novos ramos de ira. O confronto com a auto-piedade e ao apego às coisas, faz da sangria e do torniquete, talvez uma necessidade; purgar as causas da angústia, e fechar o corte.

As vezes o que nos traz a angústia e consequentemente a falta de fé, é algo que teve seu tempo como benção, mas que pode sim ter tomado outra forma/função no presente momento. Cabe a nós decidir onde ficar e e que lado estar. E acreditem, é necessário muito amor para isso, e isso não custa pouco. Mas o amor sim dá à luz a resistência. (João 16:33) E o melhor meio pra que se perceba o Amor, é lembrar como se agradece um dia, um sorriso, ou um abraço. As vezes nosso orgulho ferido nos torna soberbos, nos esquecemos o que é gratidão e então passamos a exigir que Ele faça isso ou aquilo… e embora diversas situações não se pareçam justas, “Seria porventura o homem mais justo do que Deus? Seria porventura o homem mais puro do que o seu Criador?”(Jó 4:17)

Não sabemos os porquês de todas as coisas, mas se o sentido da vida é viver, se a jornada é o que define quem somos, e pra onde vamos, sugiro que escolhamos o caminho mais bonito, e não um simples atalho. Algo sólido e não um remendo pra que nossa angústia seja sedada hoje e que acorde furiosa amanhã. Se a jornada é o que importa, sejamos gratos pela beleza que encontramos nos detalhes do caminho, porque tudo que está ao nosso redor é emprestado, e só estamos de passagem.

Sempre vejo que Deus é fiel e tem varias propriedades, demarcadas por adesivos cristãos em carros. Ontem, li num adesivo de crente-móvel: “Até aqui nos sustentou o Senhor.” Foi a primeira vez que sorri ao ver um crente-móvel, e agradeci pela misericórdia renovada a cada manhã. E sim, eu dei toda essa volta pra dizer à você, leitor, que a angústia, embora as vezes pareça, não é eterna.

“Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto esperarei nele. Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR. Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele. (…) Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta. Pois o Senhor não rejeitará para sempre. “

Lamentações 3:21-28,30,31



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5 Respostas

  1. J.Monaco Desse:

    http://solomon1.com/a/2008/14/angustia/

    November 14th, 2008 às 1:42 pm

  2. speedofGod Desse:

    Perfeito!

    November 15th, 2008 às 7:02 pm

  3. Rogério Silva Desse:

    Sentindo as garfadas do jantar da duplinha angústia e baixa auto-estima, muito bom o texto. Obrigado por compartilharem.

    Rogério

    November 17th, 2008 às 7:13 am

  4. jpan_es Desse:

    Tenho algumas poesias com temáticas cristãs e gostaria de saber se seria possível postalas aqui mas antes disso se há algumas forma de resgistrá-las online, creio que já ouvi algo a respeito. Aguardo resposta no e-mail. Obrigado.

    November 23rd, 2008 às 9:49 pm

  5. tiago Desse:

    Eh isso aí…sempre passa…Graças a Deus… Otimo Texto.

    October 13th, 2009 às 1:38 am

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