
Sempre me pedem para compartilhar algumas reflexões sobre a Igreja emergente. Minha definição do que é igreja emergente está baseada na nossa própria igreja, a Vineyard Mercy, situada em Minneapolis (Minnesota). Temos um pouco mais de 2 anos e congregamos com mais ou menos 165 adultos. A idade média ali é de 25 anos. Amamos nossa cidade, a cultura do século XXI e queremos ver Deus tocando nossa geração; Por isso defino igrejas emergentes como aquelas que alcançam gente jovem, estão envolvidas na cultura do século XXI e tem um glorioso futuro pela frente.
A frase “IGREJA EMERGENTE” tem certo significado que requer alguns esclarecimentos. Foi fundada há 10 anos pela Rede de Líderes Jovens (Young Leaders Nerwork), conhecida hoje como Aldeia Emergente (Emergent Village). Essa rede foi influenciada pelas obras de Brian Mclaren, Leonard Sweet, Todd Hunter, Doug Pagitt, e Doug Kimball. Também por pensadores como Dallas Willard e N.T. Wright. Um grupo paralelo é a corrente da Igreja Missional, que inclui a Marck Driscoll, Tim Keller e Ed Stetzer e, a influencia de pensadores como Alan Roxburgh e Garrel Guder. Sua ênfase fundamental é o evangelismo, a plantação de igrejas e o impacto social.
Outro grupo paralelo a este é formado por líderes jovens de bagagem conservadora, como Mark Driscoll e o ministério Atos 29 (Hechos 29) CJ Mahaney e a Graça Soberana, Tim Keller e Prensa Redentora, John Piper e o ministério Desejando a Deus, assim como Mark Dever e o ministério das Nove Marcas. Sua influencia provém de pensadores reformados como J I Packer, Carson e Wayne Grudem.
Mas, para onde estão apontando estes grupos?
Basicamente, afirmam que existe um declínio da identidade denominacional e o surgimento de novas “escolas” de pensamento cristão que estão conectadas relacionalmente e não estruturalmente. Estes grupos me parecem bastante esclarecidos e creio que como movimento Vineyard podemos aprender um pouco com cada um deles, sem nos deixar levar por modismos e rótulos.
Um primeiro elemento que descreve a igreja emergente é que ela é ECLÉTICA. Algumas razões: a perda de força das denominações, a diversidade cultural e a “explosão informativa”. As igrejas emergentes aproveitam a grande variedade de tradições e idéias que foram acumuladas ao longo dos anos na história da igreja. Por isso podemos encontrar igrejas Vineyard com liturgia clássica, anglicanos carismáticos, batista roqueiros, ordens monásticas menonitas, mega-igrejas não denominacionais e conservadoras, pequenas denominações calvinistas da terceira idade, igrejas multi-etínicas, igrejas urbanas monoculturais, presbiterianos ecumênicos plantando igrejas pentecostais! A vantagem é que é possível tocar milhares de pessoas com uma variedade grande de formas e qualidades. A desvantagem é a perda de identidade. Apesar de tudo isso, nos EUA, a maioria das igrejas emergente é monocultural, ainda que tratando de rever esta tendência.
Um segundo aspecto que caracteriza as igrejas emergentes é que são PÓS-RELIGIÃO. Isto é algo que a Vineyard já sabia, antecipando como uma tendência. A palavra “religião” se transformou em uma péssima palavra para igrejas jovens. A maioria dos jovens se veste casualmente, saem em grupos, não têm instrumentos musicais tradicionais, mas sim bandas de músicas contemporâneas, quase nunca usam um linguajar religioso e falam geralmente em gírias e de maneira informal. Algumas igrejas emergentes ainda dão certo valor para liturgia, como maneira de terem uma experiência espiritual, porém, sem o mesmo valor dado pela tradição.
Outra coisa interessante nas igrejas emergentes é que são muito PRÁTICAS. Nesse sentido, seus pastores estão ajudando constantemente as pessoas a aplicarem o cristianismo no cotidiano. Para isso recorrem a pregação, aos grupos pequenos e grupos de estudo. A doutrina e o estudo bíblico não são tão predominantes ou considerados interessantes como nas igrejas tradicionais. Você observa isso através das publicações em que aparecem menos pensamentos teológicos e mais práticas. Isso é bom ou ruim? Creio que é justo dizer um pouco dos dois!

Por último, outra característica relevante é que as pessoas que participam nas igrejas emergentes vem na maioria das vezes, de OUTRAS EXPERIÊNCIAS CRISTÃS. Em geral, as igrejas emergentes atraem pessoas jovens que estão decepcionadas com igreja e perdendo sua fé. Há neste sentido algumas exceções extraordinárias como a Vineyard de Duluth em Minnesota e a Vineyard de Cplaraine na Irlanda do Norte, porém no geral o ministério envolve pessoas que já tiveram experiências em outras igrejas. Com estes aspectos em mente, vamos considerar algumas coisas:
Em primeiro lugar, vamos dar uma olhada nas águas culturais que a igreja emergente está nadando e em segundo lugar vamos observar as áreas mais importantes que a igreja emergente deve confrontar. Por um lado, podemos dizer que nossa cultura é relativista no que diz a respeito a religião e a ética e, culturalmente pluralista no sentido de uma crescente diversidade. A sociedade atual valoriza as diferentes etnias, nacionalidades, pessoas excepcionais, gays e lésbicas, heterossexuais, pobres e ricos, diferentes origens regionais, diferentes personalidades, características familiares, bagagem cultural e profissional, experiências de vida. Diante de tal variedade, o relativismo, pluralismo e diversidade, são a única maneira de conciliar tudo isso. Seja para o bem ou para o mal.
Em segundo lugar, é sabido da transformação tecnológica na cultura. Já se disse incontáveis vezes que a tecnologia mudou radicalmente a forma como as pessoas se relacionam, tanto positiva, quanto negativamente. Por exemplo, em nossa congregação temos mais visitantes pela web que por qualquer outro meio. Os membros da igreja enviam artigos e palestras a seus amigos não cristãos e conversam com eles. Usando os chats, e-mails, scraps, blogs, posso ter uma idéia mais acertada do que está ocorrendo no dia a dia das pessoas que congregam comigo.
Usando a lista de e-mail, eventos sociais e de evangelismo são organizados num abrir e fechar de olhos. É um espaço social completamente novo. Porém, também tem seus problemas. Em nossa igreja, entre os homens, o problema mais comum é a pornografia on-line. Da mesma forma que e-mails mal direcionados geram conflitos e mal entendidos. Através dos chats e e-mails, as fofocas e crises vem e vão mais rápido que os pedidos de oração. Tenho visto que há um acesso a jogos entre as moças que as levam a excluir-se e a não querer ter relações amorosas
Esta nova cultura é globalizada e, não estamos separados da China, Índia, Oriente Médio, Londres, Moscou, África ou América Latina. Estamos conectados tanto economicamente quanto politicamente. Isso nos abre os olhos para as injustiças globais, as crianças que são levadas ao suicídio na Índia, as clínicas de AIDS no Quênia, e as igrejas perseguidas no Paquistão. Pense nessa inversão de paradigma: da justiça para os pobres em meu bairro, a justiça para os pobres no México, América Latina e os cinturões de miséria das grandes cidades. Dali nós movemos a justiça para os pobres na Ásia e África. No antigo paradigma só nos preocupávamos com discipular pessoas que fizessem diferença em nossa cidade. No atual, pensamos que elas devem fazer diferença em qualquer lugar dos EUA aonde forem levados. E no futuro pensaremos num discipulado que os prepare para qualquer lugar no mundo.
As correntes desta cultura líquida se movem rapidamente, os costumes mudam de direção frequentemente, e às vezes querem passar por cima de nós. Como fazermos para continuar sendo relevantes?
Jeff Heidkamp pastoreia Vineyard Mercy.
Tradução Milton Paulo












Marco Gomes Desse:
Ótimo texto, obrigado por traduzir e divulgar.
Estou bastante interessado nesta igreja emergente, talvez eu vá conhecê-los nesta sexta.
December 17th, 2008 às 10:29 am
jrblackroll Desse:
Quero deixar aqui um comentario sobre esse assunto, acho de extrema relevancia esse estudo igreja tem que saber se infiltrar e atrair as pessoas de acordo com o avanço da tecnologia sem que o conceito do cristianismo pratico não perca seus fuindamentos, agradeço por este estudo pois veio de encontro aos meus questionamentos sobre uma série de situações que a igreja está exposta hoje!!
December 17th, 2008 às 10:55 am
milton paulo Desse:
Cara, maravilhoso o espaço de vocês!
Pode ter certeza que vou voltar sempre.
Forte abraço;
Milton Paulo
Vineyard Café
December 18th, 2008 às 3:15 pm
Rafael Santos Desse:
Otimo texto,
e Bem real… tenho lutado
pela igreja emergente
Deus abençoe o Vineyard
December 19th, 2008 às 10:27 am
Markeetoo Desse:
ótimo texto mesmo.
muita clareza e praticidade.
January 16th, 2009 às 11:11 am
José Eduardo da Silva Desse:
Tenho lido bastantes blogs com o tema Igreja Emergente ou Movimento Emergente, e o que mais me informou, até pela historicidade dos fatos e ifluências foi este, parabéns ao criador deste blog, ao Jeff Heidkamp e ao tradutor do texto. Tenho buscado também entender as mudanças, vertententes e pensamentos dentro desta Igreja ou movimento pelo ponto de vista analítico. O interessante é que aqui no Brasil, a 25 anos atrás já existiam grupos com esse pensamento. Eu mesmo vi e vivenciei uma estrutura bem diferente da estrutura denominacional que tradicionalmente conhecemos, seja do meio pentecostal, neo pentecostal ou protestante histórico. Basicamente o que vi e vive: não havia lugar determinado de encontro ou reuniões, havia uma pluralidade na liderança que governava no sitema presbiterial (na época haviam 5 presbiteros) . Esses presbiteros tinham uma função apostólica, ou seja, cuidavam de alicerçar a doutina da igreja, lidavam somente com a palavra enquanto pastores cuidavam da parte da igreja em determinadas localidades. Isso já acontecia desde 1984, eu os conheci em 1995, e o mais intererssante é que quando questionados quanto ao nome da denominação eles simplismente diziam que eram membros da igreja, ou seja, não tinham um nome propriamente dito. As virtudes desse grupo: alto nivel de relacionamento interpessoal, serviço social local e um nível teológico alto, conheci Piper e Wayne Grudem ao longo do tempo andando com eles e hoje congrego com eles aqui no Rio de Janeiro.
May 12th, 2009 às 4:48 pm
luis cappeletti Desse:
Eu Inconcientemente estou vivenciando esta transição, e vejo muitosao meu redor sem perspectivas dentro do sistema religioso, depois do que li vou me aprofundar neste “mover” pos-pentecostal.
May 17th, 2009 às 10:59 pm