
Muitos meses antes de “O Cavaleiro das Trevas” (Dark Knight) se tornar um sucesso de bilheteria, seus responsáveis já sabiam que estavam diante de algo mais do que um típico filme de super-heróis. O próximo passo foi dizer isto ao resto do mundo. Tal missão foi confiada à 42 Entertainment, uma agência especializada em fazer coisas nunca antes feitas e que já havia chamado a atenção de toda a indústria com campanhas revolucionárias para o game “Halo” ou o lançamento do álbum “Year Zero” da banda Nine Inch Nails (ganhadora do Grand Prix de Cannes em 2008), entre outras.
A 42 desenvolveu a famosa campanha “Why so serious?” (Porque tão sério?), visando se destacar em um mundo saturado de mensagens convencionais. A agência criou um imenso jogo multimídia, centrado na internet e desenvolvido no mundo real, para que todos os envolvidos participassem e terminassem se sentindo cidadãos de Gotham, a cidade de Batman. Entre suas conquistas, a campanha conseguiu reunir 250 pessoas atrás de pistas em um parque de San Diego, nos EUA, recebeu fotos de famílias de 56 diferentes países, vestidas como o Coringa e, em resumo, impactou de forma não convencional mais de 10 milhões de pessoas.
Acompanhe a entrevista exclusiva ao Terra com Alex Lieu, diretor de criação da 42 Entertainment:
Vocês já realizaram campanhas para nomes conhecidos como Batman, Halo e Nine Inch Nails. Como vocês realizam seu trabalho quando não há um gancho tão famoso?
Nós não precisamos de uma marca estabelecida, mas de poder identificar um público que tenha uma verdadeira paixão por algo, e assim nos certificamos de tocar sutilmente esta paixão. Por exemplo, se você deseja fazer algo relacionado ao futebol, existe um público que carrega uma enorme paixão e você pode encontrá-los falando diariamente do tema em muitos sites da web. Este é um ótimo exemplo de público com o qual é possível trabalhar e se destacar, proporcionando uma divertida experiência que pode fazer parte de forma nunca antes experimentada.
Pode-se dizer que consiste basicamente em plantar uma semente em uma comunidade e em seguida essa comunidade a faz crescer?
Sim e não. Nem sempre recorremos a comunidades ou fóruns de outras pessoas para plantar as sementes. O que fazemos é lançar as coisas e descobrir organicamente os sites em que se fala sobre o tema. Isso às vezes torna nosso trabalho mais difícil, pois temos que onde essas conversas e fóruns foram desenvolvidos, porém é normalmente algo que cresce muito rapidamente.
Após um sucesso tão grande como o “Why so serious?”, vocês aplicarão a mesma estratégia a outras campanhas?
Existem algumas estratégias centrais que estão sempre em nossa forma de pensar, mas aprendemos ao longo do tempo que há coisas que funcionam muito bem e outras que nem tanto. E os clientes não querem fazer a mesma coisa que antes. Por isso, somos sempre obrigados a proporcionar algo diferente e único, ainda que compartilhe o conhecimento e aprendizado que tivemos. Além disso, nós nos dirigimos a diferentes públicos e alguns deles ainda não tiveram a experiência real de ser convidado para um jogo e encontrar as pistas no mundo real.
Vocês estão especializados em públicos jovens? Deve ser difícil mobilizar públicos mais velhos para que façam coisas como se vestir de Coringa.
Bem, esse é um exemplo extremo do que fizemos, e foi algo interessante na forma de contar a história. Na internet, você pode ter contato pessoas muito apaixonadas e demograficamente mais diversificadas do que se pensa. Com O Cavaleiro das Trevas, tivemos um ótimo equilíbrio entre os públicos masculino e feminino. A princípio, ficamos surpresos com as campanhas do Halo, do Nine Inch Nails e especialmente com O Cavaleiro das Trevas, pois se supõe que sejam coisas destinadas especialmente aos jovens do sexo masculino entre 15 e 25 anos, e sem dúvida temos esse público, mas esse público se estende muito além, pois as pessoas gostam de se verem envolvidas em histórias, construir coisas em conjunto, trabalhar em comunidade e todos gostam de falar.
Juanjo Montanary, especial para o Terra
Direto de Cannes / Fonte: Terra












vineyard CAPITAL Desse:
O segredo da agencia de mkt do O Cavaleiro das Trevas: http://bit.ly/3lvZc
June 24th, 2009 às 12:14 pm
Sergio Luis Seloti Desse:
RT @proibidopessoas O segredo da agencia de mkt do O Cavaleiro das Trevas: http://bit.ly/3lvZc
June 24th, 2009 às 12:20 pm
Paçoca Ribeiro Desse:
RT @proibidopessoas: O segredo da agencia de mkt do O Cavaleiro das Trevas: http://bit.ly/3lvZc
June 24th, 2009 às 12:31 pm
Hilan Diener Desse:
RT: @proibidopessoas: O segredo da agencia de mkt do O Cavaleiro das Trevas: http://bit.ly/3lvZc
June 24th, 2009 às 12:46 pm
Vineyard Café Desse:
RT @proibidopessoas: O segredo da agencia de mkt do O Cavaleiro das Trevas: http://bit.ly/3lvZc
June 24th, 2009 às 1:12 pm
J.Monaco Desse:
bom tutorial.
June 25th, 2009 às 11:24 am
dlrandrade Desse:
Revelados alguns segredos de Batman. http://tr.im/pOoQ #Solomon
June 26th, 2009 às 12:39 am
ANG Desse:
O texto é interessante, mas têm alguns descuidos:
“Nós não precisamos de uma marca estabelecida, mas de poder identificar um público que tenha uma verdadeira paixão por algo, e assim nos certificamos de tocar sutilmente esta paixão.”
A partir do momento que se alia imagem/idéia a paixão, como faz o “Why so serious?”, estabeleceu-se vínculo de marca. Ou seja, diferente do alegado, mapeou-se a paixão, e aí vinculou-se a ela uma marca (que não é sempre um logo, como estamos acostumados). Funciona como um porto pra que interessados fixem seu interesse para que eles supram necessidades via benefícios encontrados.
E não é simples fazer isso. É bom lembrar que o primeiro Batman foi sucesso de bilheteria, o diretor Christopher Nolan gozava de notoriedade e o elenco foi praticamente todo renovado para a sequencia. Heath Leger morreu, gerou curiosidade. Isso facilita sim o sucesso da Comunicação, não é igual a começar do zero.
Mas há detalhes interessantes no “Why so serious?” – um dos principais atores morreu, nisso também toca com sutileza e alivia-se a tensão que rejeita a marca; ou seja, potenciou-se a curiosidade ainda mais, também em decorrência do citado acima.
Outra detalhe: o segundo filme é melhor que o primeiro, muita gente vai dizer que é, mas esse é o parâmetro do gosto, não o da técnica ou da arte (que o mercado recusa, pois sabe que com propaganda atrai-se os olhos para outras áreas de interesse); a sequência tem problemas de narrativa, personagem, montagem/edição, som, sem contar que é filme pra gosto médio, pra agradar multidão e foge sim de MUITAS questões relevantes que suscita. A Veja aplaude, seus leitores também, mas isso não melhora o filme, é disso que o brasileiro não se toca.
Que o mundo também não se toca e cristãos, que entram na mesma mecânica com publicidades e propagandas: o mundo é cada vez mais mercado, e medir fatos pela propaganda retira da realidade, e pior, faz medir as coisas segundo o padrão de benefícios e malefícios. Isso é excludente e esterelizante; do homem.
June 27th, 2009 às 2:44 pm