
Há alguns anos, a idéia de que adoração é um estilo de vida, e não apenas música, tem circulado constantemente entre os seguidores de Jesus. Nos encontros e celebrações, a expressão musical de louvor e adoração a Deus, em muitos lugares já não é vista como entretenimento ou como um momento para ‘preparar’ o coração dos ouvintes para a pregação, mas sim, uma expressão viva da Igreja que busca dignificar o nosso Senhor.
A questão é que liturgicamente, essa didática funciona, mas no dia-a-dia a todas as declarações de um desejo constante de habitar todos os dias na presença de Deus, adorar 24hs ininterruptamente e tantas outras tornam-se por vezes vazias ou até mesmo hipócritas.
Vivendo de forma naturalmente sobrenatural
Ao lançarmos nossos olhos no que é o tratado sobre adoração estabelecido por Jesus, em João 4.24, percebemos várias nuances que tem como base a formação espiritual: “Deus é espírito”. O sopro sagrado vindo do fundo de quem é o próprio Deus vivo é quem determina a nossa vida de adoradores. Todo diálogo do Mestre com a mulher samaritana partiu de elementos do cotidiano de ambos: etnia, religião, questões relacionadas a casamento.
Foi a partir de questões de cunho natural, abordadas com a ótica profética de Jesus que se manifestou o sobrenatural na vida daquela mulher. E a conversa prossegue “… e é necessário que os adoradores o adorem em espírito e verdade”.
Não poucas vezes nós, assim como a mulher samaritana, desprendemos muita energia com resultados, com o que podemos alcançar na nossa espiritualidade, mas o princípio que torna o etéreo, o sobrenatural, o espiritual em algo palpável, natural e verdadeiro é a adoração.
John Wimber costumava dizer que “a adoração é o ato de livremente dar amor para Deus, e esta ação dá forma a todas as atividades na vida do cristão”. Talvez o nosso anseio por resultados, até mesmo dentro da esfera de um cristianismo relacional, não apenas no que tange à nossa intimidade com Deus, mas também à nossa vida comunitária, comprometa uma vivência mais espiritual e verdadeira com o Senhor. O aspecto da proclamação missional também é outro fator relevante, pois pode nos levar a um ativismo distanciador de conhecer a Deus, por muitas vezes cair no engano de se envolver tanto com a cultura ao nosso redor, com o objetivo de fazer Deus conhecido aos outros.
Por isso antes de abordamos o que seria uma manifestação da ‘verdade’ de João 4.24 na nossa adoração, vamos observar algumas disciplinas espirituais, caminhos antigos que fazem do nosso coração um lugar de ensino, onde o ‘espírito’ é quem nos direciona.
Fazendo do coração um lugar de ensino
Necessitamos estar a sós com Deus e nos calar para ouvi-lo. No meio do burburinho e das intensas vozes que clamam pelo cumprimento de ritos religiosos, temos que ter a mesma postura de Jesus: “Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente” [João 5.19].
Não por acaso esse diálogo surge um capítulo depois do período de quarenta dias em que Jesus se retirou no deserto. O fato dele ter permanecido em jejum por quarenta dias sempre é algo que olhamos com maior atenção e até admiração, almejando um dia, talvez, fazer o mesmo.
Agora, imagine: será que almejamos ficar quarenta dias em solitude e em silêncio? É sempre bom não confundir ‘estar sozinho’ com solitude. A sociedade da informação nos imprime uma vida ‘umbigocentrista’, mas que não encontra momentos de solitude e silêncio, porque estamos cercados de parafernálias que supostamente existem para facilitar nossa vida. Trocamos por vezes uma boa conversa, momentos de desfrutar da Criação, e, mais drasticamente, nossa intimidade com o Pai, por horas de navegação na internet, telefone, celular, mp3 players, dvd’s, TV e etc.
A ausência de ruído apavora a muitos de nós, por dar a impressão de que nada está acontecendo. E é justamente aí que o silêncio pode tornar verdadeira a espiritualidade de nossos momentos a sós, como Henri Nouwen diz: “o silêncio é a forma de tornar a solitude uma realidade”.
Na nossa vida frenética, pensar em ter momentos a sós com Deus, em aquietar-se para aguçar nossa sensibilidade em relação à voz divina pode soar pretensioso para alguns, mas certamente são hábitos que pavimentarão uma caminhada cristã de humildade e dependência que terá como conseqüência uma vibrante expressão de adoração, nos tirando da superficialidade de momentos onde louvor, exaltação e alegria estão unicamente atrelados à multidão, barulhos e animação de palco, como lamentavelmente temos visto em tantos locais de reunião da Igreja.
Acordar no meio da madrugada, retirar-se para um monte, abster-se por algumas horas de entretenimento plugados em dispositivos de comunicação [pode incluir aí até mesmo os seus discos de adoração de ministros usados pelo próprio Senhor], e até mesmo descansar, configuram cenários onde é possível desfrutar de momentos profundos de relação com o Deus Triuno através da oração, sempre lembrando que orar não é só falar e articular pensamentos o tempo todo, mas também ouvir, pois quanto menos falamos mais profundas são as palavras proferidas na hora apropriada.
Chamados para fora
Estes hábitos com certeza nos levaram a um cotidiano de adoração que manifestará a verdade na nossa relação com o Sagrado, com os irmãos e com toda a criação que arde em expectativa pela nossa manifestação enquanto filhos de Deus.
A belíssima narrativa dos cinco primeiros capítulos de Atos dos Apóstolos mostra que toda ação da Igreja nascente, em especial a proclamação e a comunhão, teve como influência e condução o poder do Espírito Santo. E quando conectamos isso com a vivência dos discípulos junto ao Amado mestre, entendemos que essa manifestação, esse movimento do Espírito na vida deles foi fruto de saber esperar, e acreditar com o coração imerso em fé, de que a presença dele os acompanharia onde quer que eles estivessem.
Inúmeras vezes, numa conversa informal ou até em estudos e debates mais profundos, os relatos do que era a Igreja descrita em Atos parecem ser coisas inalcançáveis, utópicas, e até mesmo pejorativamente primitivas.A ousadia e intrepidez que por vezes são bradadas em cânticos e pregações contornam as nossas vontades e aspirações individuais ao invés de nos colocar no centro da vontade de Deus.
Porque não somos intrépidos para nos não se escorar em multidões e em falácias vazias? Porque não somos ousados repartir a mesa diária da vida com outras pessoas, inclusive os que não nossos irmãos?
A espiritualidade de ficar em silêncio e em solitude nos choca, porque nos eleva a níveis mais extremos de dependência de Deus. A verdade da proclamação e comunhão nos confronta, porque nos equaliza com o nosso próximo.
Que nós hoje, cobertos por este espírito de adoção que nos insere na família de Deus, possamos desfrutar desse mesmo banquete de espírito e verdade, silêncio e solitude, comunhão e conseqüentemente proclamação, porque quando somos cheios dessa realidade do Reino do nosso Deus, não temos como ficar passivos e aí sim chega a hora de expressar com toda nossa força e intensidade esse amor.
João Costa












Rafael Faria Desse:
Faz-me lembrar do Rob Bell, né…
muito obrigado.
January 28th, 2009 às 3:04 pm
fernandomatias Desse:
Passei a valorizar o silêncio.
January 28th, 2009 às 3:23 pm
José Luiz Desse:
nossa… mto bom o txt!
Passei a valorizar(mais ainda) o silêncio.[2]
January 28th, 2009 às 9:56 pm
wellington Desse:
Faz-me lembrar do Rob Bell, né…[2]
Nooma: Noise!
eu estou precisando viver mais isso!
January 29th, 2009 às 8:53 am
Rod Silva Desse:
SILÊNCIO.
EU AMO O SILÊNCIO!
=)
ENJOY THE SILENCE!
\o/
February 5th, 2009 às 7:44 pm