
O Brasil pode alcançar indicadores sociais próximos ao de países desenvolvidos já em 2016. A projeção foi divulgada hoje (12/01) no Comunicado da Presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Segundo o Ipea, entre 2003 e 2008 houve diminuição da pobreza e da desigualdade e, se os números do período forem projetados adiante, o Brasil pode praticamente superar o problema de pobreza extrema (renda familiar per capita de até um quarto de salário mínimo), assim como alcançar uma taxa nacional de pobreza absoluta (renda familiar de até meio salário mínimo) de apenas 4%, o que significa quase a erradicação.
As projeções também mostram que o índice de Gini, indicador que mede a desigualdade da distribuição de renda, poderá ser de 0,488 em 2016, um pouco abaixo do verificado em 1960 (0,499), ano da primeira pesquisa sobre desigualdade de renda feita no Brasil pelo IBGE. O índice Gini varia entre zero (equivalente a completa igualdade de renda) e um (correspondente a completa desigualdade).
De acordo com as medições mais recentes, o índice Gini em nações mais desenvolvidas se encontra, em geral, abaixo de 0,4, como observado em países como a Itália (0,33), Espanha (0,32), França (0,28), Holanda (0,27), Alemanha (0,26) e Dinamarca (0,24). Nos Estados Unidos, o índice fica um pouco acima da média, com 0,46.
Segundo o documento do Ipea, as perspectivas em termos de continuidade no enfrentamento da pobreza e da desigualdade no Brasil dependem de vários fatores, entre eles a manutenção do ritmo e do perfil do crescimento econômico com baixa inflação.
Ainda assim, para os níveis de erradicação quase que total da pobreza até 2016 serem alcançados, são fundamentais a instalação de novas políticas públicas, “especialmente em termos da urgente inversão tanto da regressividade da arrecadação tributária como da fragmentação, dispersão e sobreposição das medidas de atenção social”, diz o relatório.
De acordo com o instituto, uma nova legislação com metas, previsão de recursos e cronograma sobre políticas sociais seria fundamental para otimizar os gastos públicos e manter o ritmo de crescimento.
Situação da pobreza no mundo
O Ipea também apresentou no Comunicado da Presidência dados copilados sobre a pobreza no mundo. Com base em números da Nações Unidas (World Income Inequality Database – WIID), o documento constatou que a pobreza extrema apresenta comportamento desigual em diferentes regiões do mundo e a evolução da desigualdade de renda também registra trajetória distinta entre os países.
O documento mostra um estudo em alguns países selecionados. O destaque aponta que as nações asiáticas em expansão econômica apresentaram elevação na desigualdade de renda tanto na segunda metade dos anos 1990 como na primeira metade da década de 2000. Na região, Paquistão e Indonésia lideraram os aumentos. Nestes países, a desigualdade entre 2000 e 2005 subiu 24,3% e 21,2%, respectivamente.
Em relação aos países desenvolvidos, para este mesmo período, o Ipea observou sinais de agravamento na relação de desigualdade de renda. Em países como Itália e Alemanha, houve aumento de 10,7% e 5,7%. Entre os países selecionados pelo instituto, a boa notícia veio da França, que registrou decréscimo de 0,7% na desigualdade no mesmo período.
Na América Latina e Caribe, as situações são contrastantes. Entre 2000 e 2005, países como Costa Rica e Uruguai aumentaram a desigualdade em 3,1% e 1,6%, respectivamente. Mas alguns países tiveram queda na desigualdade de renda, como Paraguai (-3,4%), Brasil (-4,5%) e México (-4,1%).
Época NEGÓCIOS Online












Capital Desse:
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January 12th, 2010 às 3:51 pm
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Davi Desse:
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January 13th, 2010 às 3:57 pm