O hábito de mentir pode se revelar não apenas uma dificuldade de aceitação própria e ato aparentemente simples e inofensivo, como também evoluir para práticas que culminem até mesmo em crimes. No Dia da Mentira –como é popularmente conhecido o 1º de abril –, é esse o alerta feito pela psicóloga Sueli Damergian, especialista em relações humanas e docente do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo).
Em entrevista ao UOL Notícias, a estudiosa afirmou que o mentiroso mais comum é aquele que recria a própria condição social e a transforma em uma versão na qual, em geral, ele surge mais valorizado. Além de tendência, afirma ela, esse tipo de mentira tende a crescer ainda mais ante a expansão do acesso à internet.
“A mentira depende do tipo de personalidade, mas geralmente a pessoa inventa uma história que faz dela alguém poderoso, sempre levando em conta o que a sociedade valoriza e que ela não tem –bens, prestígio, por exemplo, e não ética, caráter ou educação”, define, para completar: “E a internet favorece muito isso, pois as relações tendem a ser medidas muito mais por esse meio em que são maiores as chances de se criar uma falsa personalidade e conseguir até fazer vítimas de estelionatários ou mesmo de psicopatas. Ou seja: a mentira pode crescer tanto até se tornar prejudicial; crime, mesmo, e prejudicial também a quem a conta, uma vez descoberta”.
Prevenção
Adepta da tese de que “não há mentira leve ou saudável”, a psicóloga sugere que, para se descobrir se uma versão apresentada é ou não mentirosa, o melhor caminho é o confronto com dados da realidade. “E a observação do comportamento é que vai aos poucos evidenciando as características de personalidade dessa pessoa; é isso que pode desvendar o comportamento dela. Mas é importante salientar que mesmo com pequenas mentiras se produzem grandes prejuizos, até a morte –mesmo que seja uma brincadeira de mau gosto, por exemplo”.
E o que leva o mentiroso a agir dessa forma? A avaliação da especialista é pouco animadora a respeito: “Pode ser desde vontade de enganar o outro ou até pura maldade, ou mesmo a não aceitação da própria realidade ou um problema sério de personalidade, de formação psíquica, de falta de ética e compromisso com o outro e com a realidade. Não posso considerar que uma pessoa assim tenha uma personalidade saudável ou construtiva, pois é alguém que carrega traços bem destrutivos”, defende.
Indagada se a mentira, em grau “leve”, pode servir de escudo a quem a cria ou mesmo a quem a recebe –situação comum, por exemplo, em opiniões nem sempre esperadas pelo interlocutor como a ideal –, Sueli é enfática: “Ainda assim é melhor não falar nada do que mentir. Porque, uma vez criada uma ilusão que pode ser desfeita depois, com a mentira descoberta, a dor será duas vezes maior”.
Fabrizio Desse:
A mentira de fato é a inserção de uma característica satânica na pessoa. Não tentemos amenizar – é isso mesmo. Muita gente começa a mentir antes de começar a pensar na verdade. É o que, em psicologia, se chama de "comportamento aprendido". Eu mesmo já fui assim. Para curar coisas satânicas em nós, só uma palavra: Jesus. É orar e pedir a salvação Dele. Ele escuta e resolve o problema. Sempre.
April 1st, 2011 às 8:55 pm