Eu me lembro da primeira vez que encontrei alguém com HIV / AIDS. Seu nome era Princesa.
Ela era da Zâmbia e estava em viagem pelos EUA falando e trabalhando para inspirar as pessoas como eu a colocar a compaixão em ação pelas pessoas com HIV. Vinte de nós havíamos almoçados com ela um dia e ouvimos a sua história.
Como ela se sentou e conversou, eu tentei olhar através de sua pele para ver se eu podia ver o vírus. Procurei por sinais que acusavam sua doença. Fiquei prestando atenção se ela tossia. Mas depois de estudar o seu corpo e procurar por qualquer indício que poderia afirmar que ela havia contraído HIV, não tive nenhuma prova. Ela falou com entusiasmo sobre como era viver com HIV / AIDS e o preço que isso custava pra sua família e seu país.
Ela nos contou sobre a realidade de alguns lugares da África. Disse que a cada 14 segundos uma criança se torna órfã, porque os seus pais morrem de AIDS.
Então, dependendo de quão rápido você lê, dependendo do fato de você deixar de pegar o telefone ou ir ao banheiro no meio da leitura desse texto, esses números já mudaram, agora mais algumas crianças não tem pais para tomar conta delas.
Quando Princesa terminou de falar, tive a oportunidade de conhecê-la. Eu andei até ela e estendi minha mão para apertar a dela. Ela não estava satisfeita com um aperto de mão. Ela me puxou para perto e me abraçou. Antes que eu pudesse mexer meu corpo branco e sem ação de dentro de seu abraço firme, ela deu um beijo na minha bochecha direita. Ao lado da minha boca. E eu adorei. Eu adorei porque era a minha maneira de dizer que não estava com medo da doença. Eu adorei, porque eu senti como se me juntasse à Princesa em irmandade para anunciar que, apesar da doença poder roubá-la da vida em algum momento, não iria roubá-la dos beijos e abraços.
Então eu conheci o Bob. Bob é o tipo de cara que nunca será manchete e sobre o qual não escreverão livros. Mas não deveria ser assim.
Há mais de 20 anos, Bob e sua família tomaram a decisão de dar suas vidas para servir aqueles que vivem com HIV / AIDS na nossa comunidade. Então, Bob e sua esposa começaram o “The Gathering Place”. É um centro de recursos para mais de 200 homens e mulheres que vivem com HIV / AIDS nos bairros em torno do centro.
Uma tarde, em dezembro, Bob e eu andávamos em torno de nossa comunidade entregando presentes de Natal para alguns dos pacientes do “The Gathering Place”. Alguns dos meus amigos tinham partiipado e enchido sacos enormes de presentes de Natal para essas famílias. E agora eu estava indo bancar o Papai Noel. A cada casa que nós passávamos, Bob irradiava de alegria. Passamos um tempo conversando com os pacientes e perguntamos como estavam se sentindo, se os remédios estavam fazendo efeito.
Perguntamos se faziam planos pra viajar nas férias. E então os abraçamos. E enquanto nós os abraçamos, nós oramos com eles. Mas eu comecei a sentir que o abraço, por si só, ja era a oração.
Meu amigo Rick costumava trabalhar em um hospital em Carolina do Sul. Ele me disse que muitas vezes, se o pessoal soubesse que um paciente estava quase morrendo, o atendimento recebido não era tão completo quanto seria se ele tivesse alguma chance de se recuperar. Por exemplo, eles não davam banho nos pacientes com tanta frequência, nem trocavam seus lençóis tão regularmente. Um dia, Rick entrou no quarto de uma mulher que estava morrendo de AIDS. Ela estava perto da morte e todos sabiam disso. Era evidente que ela iria ver o pôr do sol da sua vida desaparecer na noite, cercada pelas paredes de um quartinho velho de um hospital na Colômbia, com poucas pessoas, se houvesse alguma, para lamentar sua morte.
Então Rick estava ao seu lado fazendo as coisas que ele normalmente fazia para cuidar dos pacientes. Ele reforçou suas luvas de látex e começou a trocar os lençóis da cama, e depois limpou-a. Ele terminou seu trabalho e saiu em direção à porta para o próximo paciente. Mas então ele parou na porta. Ele pensou nesta mulher. Ele pensou em Jesus.
Ele se voltou para a mulher que em breve não respiraria mais. Ele sentou ao lado dela, tirou suas luvas de látex e segurou a mão dela.
Pele com pele.
E ela lhe disse: “Esta é a primeira vez que alguém me tocou sem luvas em dois anos.”
E é por isso que esperamos ansiosamente pelo Natal. Porque se a história da encarnação significa alguma coisa, é uma história de um Deus que ama o “pele com pele”. Um Deus que não se satisfaz emmanter as luvas de látex. Pelo contrário, este é um Deus revelado na pessoa de Jesus, que entrar neste mundo através de uma caverna suja. E é por isso que histórias como as de Princesa, Bob e Rick nos inspiram tanto. Porque lembram-nos de um Deus que estaria disposto a ficar pele a pele com a gente. Um Deus que não permite que a doença, de forma alguma, o impeça de beijar a humanidade na pessoa de Jesus.
E é por isso que Princesa, Bob e Rick vivem dessa forma. Eles acreditam que, enquanto eles vão e cuidam das necessidades daqueles que os cercam, eles estão, de uma forma muito real, representando este Deus que se fez homem para que pudéssemos ser mais humanos. Eles acreditam que estão trazendo Jesus a este mundo, colocando carne e osso sobre Ele, enquanto sentam e ficam de mãos dadas com alguém que está morrendo ou abraçam alguém que não tenha sido abraçado nas últimas semanas.
Porque cada uma dessas atitudes nos conta uma história.
A história do Natal.
A história de um Deus que ama estar pele a pele com a gente.
Tradução por Lenara Monteschio
Marcus V. Desse:
Excelente texto!
December 18th, 2010 às 1:28 am
Marcela Desse:
Cara, isso eh Natal, eh Cristianismo, eh Jesus. Asho que eh assim que Ele nos convida a viver.
December 19th, 2010 às 6:01 pm
Carolina Desse:
Acho que a fonte de tanto preconceito, vêm da ignorância. Muito se fala sobre HIV/AIDS, mas ninguém explica realmente como esta pode ser adquirida, sabemos que não é somente pelo ato sexual.
Acho incrível o trabalho que essas pessoas fazem, nunca conheci ninguém assim, que abrisse mão de tantas coisas para simplesmente proclamar o amor de Deus. Estamos vivendo em um mundo cheio de egoísmo e coisas supérfluas, e é aí que esquecemos do que mais importa.
beijos
PS: Lindo texto *-*
December 28th, 2010 às 3:48 pm
Luciano Santos Desse:
Gostei do texto! Tocante, sensível, e focado num ponto crucial… que Deus não precisa de pessoas, ele escolheu servir e ser servidor por pessoas. Mas gente precisa de gente, isso é indiscutível, e não podemos fazer a diferença para Deus, mas podemos fazer a diferença na vida do próximo.
January 24th, 2011 às 2:27 am
igg Desse:
Belo texto e emocionante.
Eis me aqui Senhor, leve me aos cativos, aos necessitados ):
essa é a minha oração!
January 30th, 2011 às 12:28 am