Possivelmente você já imaginou Deus. Em algum momento de sua trajetória de vida, no passado ou no presente, sendo ou não cristão, crendo ou não em algum ser superior você já deve ter feito alguma imagem em sua mente sobre esse Deus que você conhece, acha que conhece ou faz questão de não conhecer. As pessoas têm esse esse costume de ilustrar situações imaginariamente. Há quem chame de vício a arte do pensamento.
Têm aqueles de imaginação fértil, cujo cérebro parece ter nascido para viver no abstrato, isolam-se tão facilmente do mundo real que trazê-los ao cotidiano é uma tarefa difícil. Todavia, os que não fazem uso do pensamento com tanta facilidade também não são difíceis de encontrar. Tem gente que reflete tanto sobre determinado assunto que não chega a lugar algum. Independentemente de onde você se enquadre, é possível que concorde com Albert Einstein, que disse uma grande verdade: “A imaginação é mais importante que o conhecimento”. Ela é a grande responsável por mover as ações. Esta, por sinal, não vive sem a imaginação. Uma depende da outra!
Tudo isso me leva a uma reflexão inevitável: quando pensamos em Deus ou simplesmente ouvimos uma referência dele, o que imaginamos? Que imagem fazemos dele? Você já pensou sobre isso?
Quando eu era pequeno e ouvia a famosa frase “Papai do céu”, eu imaginava um grande homem, que das alturas dos céus me olhava, geralmente com ar de repreensão, fazendo aquela cara de “não faça isso”. Esta era a imagem que eu fazia de Deus quando era menino. Hoje o vejo como alguém quase intocável de tão sublime e majestoso. Já imaginei uma forte luz e até um homem branco de barba longa como as imagens já tão difundidas pela igreja católica, já pensei nele como um amigo, da minha estatura mesmo, e até uma senhora como apresentado no livro “A Cabana”. Seja como for, queridos leitores, eu imagino Deus, ora de uma forma, ora de outra e acho que todos, com maior ou menor intensidade, também imaginam.
A grande questão agora é a forma como você imagina Deus. Será que sua mente tem habilidade para descrevê-lo? Você consegue apresentá-lo aos seus amigos, fazendo uma descrição de sua imaginação? Eu antecipo sua provável resposta: é difícil, muito difícil. Não somente porque você talvez nunca tenha pensado nisso, mas quando você começa a pensar em como Deus pode ser, a sua mente entra em colapso. Num determinado momento você pensa de um jeito, mas em seguida já imagina que Ele pode ser diferente. Será com cabelo branco de um vovô ou careca? Teria Ele a mesma forma humana? Hum… aí vamos entrar numa questão interessante, afinal segundo Gênesis 1:24, “Aí ele disse: — Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco.” (NTLH). Se Deus nos criou semelhante a Ele, então Ele teria a mesma forma humana a nós concedida? Mas o que Deus quis dizer quando falou em semelhança? Seria semelhança física? Algum aspecto do intelecto? Por mais que estudiosos afirmem os prováveis aspectos da aplicação de “semelhança”, nenhum deles pode afirmar categoricamente a verdadeira aplicação dessa palavra. Não há uma resposta absoluta sobre a questão.
Como podemos perceber, o simples fato de imaginar Deus rende boas discussões sobre os possíveis aspectos dele. Se caminharmos para a discussão a partir do ponto de vista da ciência, então, a questão se complica ainda mais. Acreditem: ciência e religião podem caminhar juntas, dependendo do ponto de vista.
Esta pequena provocação nos leva a pensar sobre nossas próprias limitações humanas. Sequer imaginá-lo tranquilamente nós conseguimos. As interferências de nossa própria mente altera o resultado final, se assim o conseguimos atingir. Quero levar você, leitor, a pensar sobre o assunto. Muito fala-se hoje sobre o “Deus de amor”, o “Deus que cura”, o “Deus do universo”, mas que Deus é esse? Está dentro de nós ou em algum lugar longínquo acessível por nossa ligação natural à Ele? Quando falamos especificamente em “Deus do universo” o discurso muda de direção. Que universo é esse que sequer o homem conhece? Afinal de contas se Ele criou o universo, este mesmo universo está sob seu domínio. Eu sinto uma agitada tranquilidade em pensar em Deus como o dono do universo. Gosto particularmente deste aspecto que “descobrimos” sobre Ele. Um Deus que domina o que para nós é desconhecido deve ser supremo, absoluto, magnífico. A partir daí todas aquelas pequenas definições e imaginações caem e a vergonha recobre meus pensamentos. Como pude imaginar um Deus tão humano, limitado ao espaço e ao tempo? Como pude pensar em alguém com aspectos limitantes?
Bem, vamos logo ao que interessa: o vídeo abaixo mostra a mais recente descoberta da ciência. A “VY Canis Majoris” é uma estrela hipergigante, ela é 1 bilhão de vezes maior que o nosso Sol e seu volume é quase 3 bilhões de vezes o volume do planeta Terra. Quando assisti ao vídeo abaixo, senti vergonha de limitar Deus em minhas imaginações. Ele é muito mais do que falam nos cultos. Ele é mais poderoso do que os pastores pregam. Ele é mais soberano que afirmam os padres ou bispos. O Papa não pode descrevê-lo. Ele é maior do que você está prestes a imaginar. Assista e comprove você mesmo a descoberta da nova estrela. Veja o quanto somos pequenos e tente imaginar o quanto Ele é grande! Tente! Você não vai conseguir!
Por: Marcos Carvalho – Um cara simples. Procura entender a vida, as coisas e as pessoas. “Procuro, procuro, procuro e poucas vezes acho. Quando acho, exponho no pensepodcast.posterous.com minha forma de ver o mundo. Desejo que você pense… pense… pense… “
Josué Orrico Desse:
Pra mim ciência e religião se complementam. O negócio fica tenso quando tentam misturar religião E política.
February 21st, 2012 às 2:03 pm
Ramon (rapa) Desse:
Muito bom o texto FALANDO sobre ciência e Religião. Só não entendi porque o amigo quis relacionar política e religião no comentário acima.
February 22nd, 2012 às 12:43 am
Allan Radaic Desse:
Acho que Douglas Adams, autor de "O Guia do Mochileiro das Galáxias", descreve o Vórtice da perspectiva total como: " Quando você é posto no Vórtice, tem um rápido vislumbre de toda a inimaginável infinitude da criação, e no meio disso, em algum lugar, há um marcador minúsculo, um ponto microscópico colocado sobre outro ponto microscópico dizendo “Você está aqui” ". Apesar do autor ser ateu convicto, acredito que ele teve um vislumbre muito maior de Deus, nesta parte, que muitos pregadores em pulpitos, já que essa finitude do ser humano comparado com a infinitude da criação leva à própria loucura nesta máquina.
É o mesmo vislumbre que tive ao ver tal estrela gigante. Deus é simplesmente demais!
February 22nd, 2012 às 12:05 pm
Marcelo G J Feres Desse:
Leiam o livro: A Imaginação de Deus. Disponível no site All Print Editora.
May 5th, 2012 às 11:40 pm